Luís Paulo Rosenberg

23 de agosto de 2017 | 15:26

Mais devagar com o andor – Luís Paulo Rosenberg

A devoção do economista liberal à liberdade de empreender e à transparência das decisões decorre de um teorema simples: cada um cuidando de seu próprio interesse, sem conluios ou conchavos, leva a uma situação de eficiência na produção que nenhum sistema gigantesco de computação seria capaz de atingir. Barreiras à entrada de empresas em um mercado, limitações aos direitos dos cidadãos de se unirem ou se separarem, o gigantismo sindical de trabalhadores ou empresários são os alvos naturais os defensores da economia de mercado, por tirarem a sociedade de uma rota de fartura e eficácia, que é sacrificada no altar das vantagens grupais.

Se há uma área da legislação brasileira que distorce as virtudes da livre negociação, na visão do economista, é a das relações de trabalho. A Justiça do Trabalho se converteu em autêntico Robin Hood, a distribuir riqueza das empresas para seus empregados, independente do que as partes desejem e possam pactuar. Até um calouro de Economia é capaz de responder de bate-pronto qual a consequência de tal atitude sobre o mercado de trabalho: os salários pagos serão mais altos, mas o nível de emprego, substancialmente menor.

Dentre as violências existentes que devem ser eliminadas está a cartorialização sindical. Em vez de um sindicato único, compulsório, com pelegos encastelados nas posições de comando e suscetíveis de submissão a interesses menores, a legislação deveria promover a concorrência pelo direito de representação do trabalhador, com contribuições sindicais voluntárias. Liberdade de escolha e transparência, enfim.

Entretanto, há que se ter bom senso ao consumar a mudança do modelo vicioso para o virtuoso. Extinguir abruptamente a sustentação financeira dos sindicatos existentes, por melhor que seja o intuito da medida, enfraquece o trabalhador, terminalmente, no seu poder de negociação com as empresas. Afinal, uma má representação é ainda melhor do que nenhuma. Portanto, um cronograma de passagem do modelo mesquinho atual para o ideal de amanhã poderá até postergar por um tempo a implantação das virtudes da competição, mas evitará jogar fora a criança junto com a água do banho.

Luis Paulo Rosenberg 

Economista e sócio da Rosenberg Partners.