Instituto Não Aceito Corrupção

Associação civil, apartidária e sem fins lucrativos.

30 de março de 2021 | 12:36

Integridade na palma da mão

Aplicativo auxilia na implementação de programas de integridade e é premiado em 3º lugar na categoria Tecnologia do II Prêmio Não Aceito Corrupção

Implementar um programa de integridade exige diversas etapas, desde realizar assinaturas do Código de Ética e Condutas e criar um Canal de Denúncias, até mapear riscos organizacionais e promover treinamentos. Com a facilidade e a integração que a tecnologia permite hoje, Jerônimo Santos Lima teve a ideia: “por que não fazer tudo isso via um aplicativo?”

Assim nasceu o ComplianceGov, agora nomeado Ethos, aplicativo classificado em 3º lugar na categoria Tecnologia do II Prêmio Não Aceito Corrupção. O projeto foi desenvolvido por Jerônimo, bacharel em Direito e graduando em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense, em parceria com Misma Ferreira de Paula, especialista em Governança, Riscos e Compliance pela Faculdade Cedin em Belo Horizonte – também vencedora do prêmio com o projeto #SomosAntiCorrupção.

O Ethos oferece uma série de funcionalidades para a implementação de um programa de integridade efetivo em organizações públicas, privadas, startups, terceiro setor, entre outros.

“A inspiração veio da época em que trabalhava com temas de controle e auditoria internos, somado aos estudos realizados no trabalho de conclusão de curso da especialização em gestão pública da UFF, quando tratei nos desafios e das oportunidades para se criar um setor de compliance na Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Macaé”, conta Jerônimo.

O estudante pesquisou sobre propostas semelhantes e fez uma adaptação à realidade do setor público, unindo insights que tirou do dia a dia de trabalho sobre o tema. Durante a elaboração, também visitou prefeituras e conversou com gestores para melhor desenvolver o aplicativo.

A interface prevê mais de uma dezena de opções, dentre as quais a funcionalidade de assinatura de um código de Ética e de condutas, uma matriz de planejamento para gestão de riscos, questionários de auditoria, canal de denúncias, materiais de capacitação e treinamento.

“No processo, percebi que a implementação de um programa de compliance efetivo no setor público é um tema urgente e relevante, contudo ainda apresenta muitas vertentes a serem exploradas, como é o caso do uso de tecnologias disruptivas para a gestão da ética pública”, aponta ele.

“Eu dei sugestões quanto a algumas funcionalidades, aplicações práticas e layout”, comenta Misma. “O Ethos é um app ainda em desenvolvimento e vai entrar em fase de testes para melhorias”.

Um dos maiores desafios encontrados no desenvolvimento do Ethos não foi o tecnológico em si, mas o trabalho com uma ideia de mudança de cultura organizacional de órgãos públicos, que ainda não perceberam o valor de formular políticas públicas de gestão da integridade. “Somente é possível aplicar a tecnologia em organizações públicas que estiverem predispostas a implementar um programa de integridade efetivo”, indica Lima.

“Temos entrado em contato com algumas organizações públicas que se interessaram pelo Ethos e já estamos em fase de negociação para testes de conceito em algumas delas”, acrescenta.

Atualmente, Jerônimo também é professor e idealizador da plataforma Govflix, uma EdTech destinada à capacitação e treinamento para inovação no setor público, além de atuar como assessor parlamentar na Câmara Municipal de Macaé, com foco em projetos de inovação legislativa.

Para ele, o prêmio Não Aceito Corrupção reconhece o esforço em prol da integridade no setor público. “Um incentivo a continuar criando e desenvolvendo projetos que possam fazer com que as organizações públicas percebam o valor de fazer o certo, concretizando o direito de os cidadãos terem serviços públicos de qualidade e agentes públicos e políticos éticos”, conclui.

Fique atento ao nosso cronograma e não perca a chance de cadastrar também o seu projeto no III Prêmio Não Aceito Corrupção, participando de forma efetiva do combate à corrupção no nosso país.