Roberto Livianu

Procurador de Justiça criminal em São Paulo, integra o Ministério Público desde junho de 1992, sendo graduado e doutor em direito pela USP. É articulista dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo e comentarista do Linha Direta da Justiça da Rádio Bandeirantes, sendo escritor, professor e palestrante.

14 de janeiro de 2021 | 10:36

Eleições para a Presidência da Câmara

Este cenário que se descortina para as eleições da presidência da Câmara dos Deputados é a evidência do tempo nublado e sombrio vivido por nós politicamente no Brasil.

De um lado, o ícone do Centrão, Arthur Lira, o “rei da rachadinha” em Alagoas, apoiado pelo presidente Bolsonaro. De outro, Baleia Rossi, do MDB, de histórico político também nada digno de elogios, a começar pelo partido, apoiado pelo presidente Rodrigo Maia e pela oposição ao Governo.

Nenhuma palavra das duas candidaturas a respeito de reforma político-partidária, novas medidas contra a corrupção, prisão após condenação em segunda instância, nem sobre a pretensão de implodir a lei de improbidade via substitutivo Zarattini, nem sobre a grave possibilidade de enfraquecer a lei de lavagem de dinheiro.

Por que será que não se consegue oferecer uma candidatura viável politicamente, comprometida com o combate firme à corrupção, com a ética, transparência, integridade, propostas abraçadas pela sociedade? O que impede a Câmara de apresentar um terceiro nome viável politicamente alinhado com os anseios da sociedade?

Se a democracia pressupõe o exercício do poder em nome do povo, pelo povo e para o povo e se cada um dos Deputados Federais que a integram foram eleitos pelo voto do povo, esta não seria uma expectativa justa e razoável?