Fernando Menezes

01 de setembro de 2017 | 11:43

Crise de confiança nos homens, mas um voto de confiança nas leis. – Fernando Menezes

Em pesquisa recentemente realizada pelo Instituto IPSOS, noticiada em O Estado de S. Paulo (13.8.17), diversos resultados indicam um quadro generalizado de rejeição da classe política e de percepção de sua falta de representatividade, com o reconhecimento da corrupção como principal causa a frear o desenvolvimento do Brasil.

No entanto, para além das constatações mais evidentes, eu gostaria de chamar a atenção para dois pontos: o primeiro a inspirar certo temor; o segundo, uma nota de otimismo.

Os resultados da pesquisa levam ao perigoso terreno em que a democracia à brasileira é negada como o “melhor regime” por 38% dos entrevistados. O perigo está na fácil confusão entre o modelo de democracia que circunstancialmente se pratica no país e a democracia enquanto regime político. Ainda preocupante, a complementar essa constatação, é 52% não verem “culpa do povo” pela corrupção por “eleger políticos corruptos”: pensar assim é um modo de o próprio povo desvalorizar o mecanismo democrático.

Por outro lado, é surpreendentemente positivo, do ponto de vista do estado de direito, que, dentre as opções apresentadas como solução para crise política, tenha contado com a opinião da maioria aquela que indicava “a criação de regras firmes (contra políticos corruptos)”, restando minoritária a que sugeria “colocar no poder líderes fortes para instituir a ordem”.

Fernando Menezes
Professor da Faculdade de Direito da USP