João Lobato

23 de agosto de 2017 | 15:16

Corrupção e “corrupcinha” – João Lobato

Em momentos de crise, as sugestões simplistas e mágicas buscam uma resposta no herói, um personagem carismático ou um grupo acima de qualquer suspeita – militar, religioso ou acadêmico.

Nesse momento, a figura singela do representante do povo não basta. Precisa-se de alguém infalível e justo, que não tenha interesse senão o comum a todos – quase um ET – e que ainda seja empático e competente. Na Grécia Antiga, seriam filósofos. Em nosso modelo ocidental, esperamos que sejam políticos e que, de preferência, não atrapalhem nossos afazeres.

Aí se descobre o Leviatã, a quem não reconhecemos mais como um construto nosso. E precisamos desse monstro corrupto que sorve recursos? Concluímos que tudo se resolve sem regulação, com o empreendedorismo e o santo mercado, até que uma greve no sistema de segurança mostre o sentimento desagregador dos nossos interesses. Tanta mentira sincera…

Há coisas mais importantes que a própria corrupção descoberta que nos fazem continuar aceitando a do outro. Deve-se pensar em um equilíbrio instável entre fazer o que dá e o que é correto, entre o mundo real e o ideal, a prática e a teoria, superando a húbris na busca da sofrósina.

A corrupção enraizada no nosso dia a dia não deveria funcionar como justificativa “torta” para amenizar a grande corrupção. A tua corrupção não é tanto aceitável quanto a minha “corrupcinha”, e ainda bem que não é. Como proclamou Benjamin Disraeli: “Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”.

João Lobato

Diretor técnico do Instituto Jatobás