INAC

03 de setembro de 2018 | 18:16

‘Ninguém pensava que poderíamos chegar ao nível de investigação que chegamos’, diz Procurador da Lava Jato

O Bloco – Blog Contra a Corrupção conversou com o Procurador da República e membro da força-tarefa da Operação Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima durante o II Seminário Caminhos Contra a Corrupção, que realizamos no dia 31 de agosto, em Campinas.

Queríamos saber na opinião dele qual era o legado deixado pela Lava Jato nesses quatro anos e como seguir mobilizando a sociedade para combater a corrupção. Confira as respostas do Procurador:

Bloco – Por que a Lava Jato deve ser um modelo a ser seguido pelos outros sistemas de Justiça? E como é possível tornar a Lava Jato um padrão de norte a sul em nosso país?
A Lava Jato tem mostrado que é possível com pouco fazer um bom trabalho, usando metodologias modernas de investigação, trabalhos em grupo, forças-tarefas e, principalmente, usando todos os meios mais modernos para a recuperação de ativos. A recuperação de ativos da Lava Jato é um modelo para o mundo todo. Nós temos uma recuperação que transcende um terço dos valores do prejuízo declarado pela empresa Petrobras, por exemplo. Isso mostra que é possível ter um retorno efetivo do Processo Penal no Brasil, mesmo sem as mudanças tão necessárias. Com relação ao modelo, eu creio que nós devemos buscar trabalhar com o pouco que nós temos, mas também devemos realizar as mudanças como as Nova Medidas Contra a Corrupção que trazem uma série de alterações legislativas que vão tornar o trabalho de investigação mais eficiente.

Bloco – Quais são os principais legados deixados pela Lava Jatos nesses quatro anos? E quais são as principais frustrações?
Eu creio que nós tivemos muitas vitórias. Nós mostramos que é possível enfrentar investigações muito difíceis contra interesses poderosos de um modo eficaz. Ninguém pensava que nós pudéssemos ter chegado em quatro anos ao nível de investigação em que nós chegamos, ao nível de fatos revelados em que nós chegamos. Não é uma questão muito simples, mas nós temos certeza que as vitórias superaram as frustrações. As pequenas frustrações que nós temos, elas não significam nada perto das vitórias.

Bloco – Como é possível fazer a sociedade brasileira adotar as Novas Medidas Contra a Corrupção e como fazer que o Congresso Nacional as aprove?
Eu creio que a estratégia delineada nesta campanha é buscar o apoio da população e a cobrança dos candidatos. Não estamos esperando nada desta legislatura, muito pelo contrário. Eu creio que nós teremos um perigo com essa legislatura a partir do final das eleições até o final do ano. Mas, com os próximos congressistas, desde que eles sejam inquiridos pela população com relação às Novas Medidas, nós podemos ter uma bancada que seja à favor do combate à corrupção.

Bloco – O que a gente pode fazer para mobilizar a sociedade a apoiar a luta contra a corrupção?
A única questão é acessar os meios de comunicação, nas redes sociais, palestrar, falar com as pessoas no dia a dia. No mundo globalizado, no mundo de comunicação rápida, não podemos dispensar as redes sociais para levar essa informação. Nós precisamos mobilizar e hoje o que mobiliza são as redes sociais.