Carlos Fernando dos Santos Lima

25 de outubro de 2017 | 10:00

A doença que nos acomete – Carlos Fernando dos Santos Lima

Estudo do FMI estima que o produto interno bruto brasileiro seria 30% maior se eliminarmos a corrupção dos negócios públicos. É como um nadador obrigado a competir usando um colete de chumbo com um terço de seu peso. Essa é a melhor descrição da economia brasileira. Um atleta que mais se esforça em se manter à tona, que se contenta em não se afogar, do que realmente competir com outros. E isso é apenas uma parte do peso que nossa sociedade carrega indevidamente. Se não bastasse o impacto da corrupção, que já é enorme, ainda a ela se acresce um Estado ineficiente e governantes que não possuem a coragem de fazer o difícil, mas necessário.

Assim, esse colete de chumbo sobre a economia brasileira traduz-se num Estado pantagruélico, faminto por impostos, que nada mais são que o suor do trabalho de cada brasileiro. Traduz-se também em um empresariado anêmico, pois cansado da carga extra que lhe é imposta, mas que, como um burro que se acostuma com seus arreios, pensa que aquele que lhe monta é um benfeitor. Assim, em vez de buscar se livrar dessas peias que lhe são impostas, esse empresário busca justamente o glutão Estado para lhe proteger de uma ameaça que somente existe por seu medo de competir.

E a sociedade vive à sombra desses dois doentes, e por isso também se encontra adoentada. Os vermes da corrupção de nosso sistema político corroem os intestinos do Estado, dando-lhe essa fome avassaladora; contaminam o sangue do empresariado, tornando-lhe tísico e amedrontado; e, por fim, tiram a esperança de todo um povo, fazendo-o acreditar que esse quadro doentio é aquilo que lhe é reservado neste mundo.

Entretanto, mesmo doentes, mesmo que tratados como mulas de carga por gananciosos, a sociedade brasileira percebeu o que lhe acomete. E isso já é muito positivo. Muitos depositam na Lava Jato a esperança na mudança desse quadro, mas ninguém, salvo o próprio povo, pode ser o agente de mudança. Precisamos ter uma perspectiva histórica. Trata-se de uma mudança geracional, e não imediata. Passa pelas próximas eleições, mas também pela subsequentes. Passa pela educação de novas gerações de que é possível ser diferente. Passa, enfim, por manter a esperança e a luta que é possível um futuro melhor.

Carlos Fernando dos Santos Lima
Procurador Regional da República e integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.