Gustavo Ungaro

Gustavo Ungaro, Ouvidor Geral do Estado de São Paulo, é Bacharel e Mestre em Direito pela USP e Professor da Universidade Nove de Julho.

18 de dezembro de 2017 | 15:08

Corrupção Globalizada?

Qual a percepção sobre a ocorrência de corrupção no mundo, hoje? Estará globalizada a nefasta prática de desviar recursos públicos para enriquecimento ilícito, com pagamento de propina para viabilizar vantagens escusas? E nosso país, que tanto carece de recursos para investimentos em políticas públicas fundamentais, para redução da pobreza e garantia de direitos básicos, como está nesse contexto internacional?

Recente pesquisa realizada em 119 países, pela Transparência Internacional, ouviu mais de 160 mil pessoas e acaba de ser publicada (Global Corruption Barometer), revelando a gravidade do problema: de cada 4 pessoas pesquisadas, 1 disse ter pago propina relacionada a alguma atividade estatal (25% de confissão de prática de corrupção ativa, portanto). Evidencia-se a necessidade de mudança de comportamento individual e coletivo.

Será que os governos estão fazendo sua parte, adotando medidas preventivas, capazes de evitar irregularidades e dificultar os desvios, ou estão deixando de adotar providências voltadas a zelar pelo uso correto dos recursos públicos? Para 57% dos entrevistados no mundo, os governos não vão bem no enfrentamento da corrupção, deixando de cumprir adequadamente com suas tarefas em termos de integridade e transparência. Apenas 30% dos pesquisados demonstraram satisfação com o grau de engajamento governamental na luta anticorrupção.

Dentre as profissões avaliadas, foram consideradas mais associadas a práticas ilícitas os policiais e os representantes eleitos (36% cada), e os líderes religiosos se saíram como os menos vistos como contaminados (18%).

A boa notícia, para não deixar o pessimismo levar à inação, é que a maioria da população mundial – especialmente os mais jovens – concordam com a ideia de que é possível ao cidadão, à pessoa comum, fazer a diferença. O Brasil foi o país com o maior índice de afirmação do protagonismo da cidadania: 83% dos entrevistados brasileiros disseram acreditar que a ação do cidadão faz a diferença no combate à corrupção. Essa disposição para o engajamento pode mesmo provocar mudanças de atitudes e de cultura. É disso que precisamos.