Luis Paulo Rosenberg

Economista e sócio da Rosenberg Partners

24 de novembro de 2017 | 5:00

A separação entre o político e o econômico – Luis Paulo Rosenberg

Poucas vezes na nossa história houve uma reversão de um processo recessivo tão motivadora como agora. Depois de anos de recessão dolorosa, que quebrou todos os recordes de perda de poder aquisitivo, a economia volta a crescer solidamente: as contas externas estão brilhantes, a inflação próxima dos mínimos históricos, as privatizações e concessões avançando com sucesso, o desemprego caindo e o PIB em ascensão. Tudo isso com avanços institucionais importantes, como a nova legislação trabalhista, o teto dos gastos e a luta pela reforma da Previdência.

Apesar de tudo isso, os níveis de popularidade do Governo são os mais baixos de todos os tempos. Empreendedores mantêm-se ressabiados no engajar-se integralmente nesse surto de crescimento.

Por quê?

Porque a separação entre o político e o econômico é uma quimera da mídia. O clima de corrupção e de negociata que envolve tanto o Legislativo como o Executivo traduz-se em incerteza mortal para o empresário. Desavenças com o Judiciário abalam a confiança na pilastra jurídica que baliza o mundo dos negócios. Batalhas de egos nos partidos políticos capazes de destruir a própria sobrevivência são desalentadoras. E a cereja do sorvete: os dois candidatos presidenciais preferidos nas pesquisas são dos extremos do espectro ideológico.

Sem crença nas instituições, a corrupção sistêmica sobrevivendo à Lava Jato e a prevalência do toma-lá-dá-cá nas negociações no Congresso, uma equipe econômica impecável é pouco para que investidores daqui e de fora se disponham a investir com confiança no Brasil.