Isabel Franco

Advogada

15 de janeiro de 2018 | 14:21

A omissão dos bons – Isabel Franco

Não há algo que eu mais abomine que a omissão dos bons.

Desde bem menina, minha mãe já falava que eu ia fazer Direito porque eu não podia ver nada errado! Eu ficava doente de ver as pessoas não fazerem nada diante de injustiças!

Pois é: a corrupção é uma das maiores injustiças do mundo!  É o privilégio ilegítimo de poucos em detrimento de muitos que invariavelmente são saqueados em seus direitos mais básicos para que o privilégio subsista.

É verdade que o baixo nível de educação e a baixa instrução política da sociedade, que muitas vezes compactua com os sistemas corruptos, patrocina a corrupção. Mas há outra força que a incentiva: a omissão dos submissos, daqueles que olham para o outro lado, dos que não fazem nada, não protestam e cruzam os braços!

No mundo da corrupção quem cala, consente. É isso! Quem se omite, admite, permite, torna-se conivente. Quem é pior? O corrupto ou o que sabe do ato de corrupção, mas não faz nada para evitá-lo, favorecendo o corruptor e o corrompido?

O Brasil vive uma terrível crise moral que corrompe todos os seus poderes. Dante Alighieri já preconizava que os lugares mais negros no inferno são reservados para aqueles que mantêm sua neutralidade em tempos de crise moral.

Chega de tolerar a corrupção, por menor que seja! Basta de aceitar o “rouba, mas faz” e o “levar vantagem a qualquer custo”.  O caráter é como gravidez. Não há meio grávida, não há meio ético ou meio íntegro. Aquele que se omite falta com ética e integridade – ponto!

Não basta somente ir às ruas em protesto. Há de se fomentar uma ojeriza à corrupção de forma a batalhar por uma mudança cultural de um brasileiro que aceita tudo para um cidadão de tolerância zero! Há de se aspirar a ter a cultura de países como a Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia. Por que não?!

O combate à corrupção começa em casa, aliás, conosco mesmos. Temos de corrigir nossas próprias mazelas. Não se pode admitir a semente da corrupção em qualquer célula, seja na empresa, seja na escola, na nossa própria família ou com nossos próprios amigos. Temos de exercer e fortalecer o músculo do combate à falta de ética e integridade. Não podemos ter vergonha de chamar a atenção de quem quer que seja: mesmo entes queridos, que no seu dia a dia agem sem ética. Temos de fomentar a moralidade no nosso País, mesmo que em passo de formiguinha. Sei que isso soa ingênuo e até piegas, mas não podemos mais aceitar quem quer que seja dando “caixinha” em troco de vantagem, oferecendo um mimo para o guarda de trânsito, pagando fiscal, ou passando uma propina para resolver seus deslizes.

O combate à corrupção é como um pedregulho lançado ao lago: a marola vai crescendo, gerando um impacto que causará uma perturbação no lago, fazendo com que ondas crescentes se propaguem pela superfície da água. É fundamental semear essa energia de indignação, de repulsa e combate à corrupção!

Que em 2018, os brasileiros deixem de admitir, tolerar, consentir, fechar os olhos para a corrupção – qualquer forma dela, de qualquer pessoa ao nosso lado ou qualquer político celebridade. Há de se tomar partido, há de se soltar a voz, sair às ruas para se impedir o triunfo da corrupção. Há de se lembrar de Martin Luther King: “O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.