Luis Paulo Rosenberg

Economista e sócio da Rosenberg Partners

22 de março de 2018 | 17:23

A melhor punição às empresas infratoras deve vir do consumidor – Luis Paulo Rosenberg

A investigação de suborno e falsidade ideológica da Carne Fraca voltou às manchetes. Por ela, ficamos sabendo que algumas das maiores empresas do Mundo, produtoras de proteína animal no Brasil, estão envolvidas em ocultação de malfeitos, viabilizando a venda de carne fora dos padrões sanitários requeridos. Como se explica que marcas internacionais, que operam bilhões de dólares diariamente, arrisquem sua credibilidade, cobrindo com o manto do suborno uma ameaça à saúde pública?

E não pense em responder: no Brasil é assim. A Volkswagen alemã foi pega falsificando dados de poluição de seus motores a diesel, comprometendo a imagem da empresa no mundo todo.

O que leva, pois, um executivo de uma empresa global a envolver-se com a violação de regras de forma tão grotesca? Primeiro, porque considera que a eventual descoberta do trampo não trará ônus maiores do que o bônus propiciado pelo crime. Mas ousará burlar as lei somente se estiver seguro de que, se tudo for de mal a pior,  a punição sobre sua pessoa e sobre a empresa será tolerável.

Temos, então, a pista do que fazer para coibir o trampo empresarial: o consumidor deve boicotar empresas contraventoras, aumentando o prejuízo por infringir a lei; aumentar as penas sobre indivíduos e corporações flagrados no crime, tornando o custo individual e corporativo de corromper sempre maior do que os lucros auferidos pela contravenção.